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A oferta de cursos de graduação na área da saúde na modalidade de Ensino a Distância (EaD) tem gerado diversas discussões tanto no meio acadêmico como no âmbito profissional, pois para a formação de profissionais dessa área específica há necessidade de inúmeras disciplinas e vivências práticas para garantir que o cuidado à saúde da população tenham qualidade e segurança. O EaD é uma excelente ferramenta para complementar o ensino, mas não pode substituir o Ensino Presencial, pois a saúde exige contato real.
Outro aspecto a ser levado em consideração é o caráter mercadológico que está sendo privilegiado na abertura das cerca de 275 mil vagas, no ano de 2017, para cursar a graduação em saúde nessa modalidade. Ou seja, nessa oferta fica evidente que a Educação está sendo tratada apenas como um negócio, uma mercadoria, sem levar em consideração que, após a formatura, milhares de profissionais estarão habilitados para exercerem funções com as quais tiveram contato apenas no estágio obrigatório da graduação e, não, sistematicamente desde o início da vida acadêmica. Nosso dever é lutar contra a abertura e oferta inconsequente desses cursos e defender que os estudantes tenham uma formação de qualidade, humanista, crítica, reflexiva, que atenda aos interesses nacionais e aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).
Em vista disso, as Executivas de curso de saúde abaixo assinadas, endossam o posicionamento do Fórum dos Conselhos Federais da Área de Saúde (FCFAS), da resolução 515 de 07 de outubro de 2016 do Conselho Nacional de Saúde e os diversos projetos de lei que se posicionam a favor da graduação na área da saúde exclusivamente na modalidade presencial e contra graduação com modalidade predominantemente a distância. Entendemos que há grandes riscos com o Ensino a Distância; riscos estes que podem, inclusive, vitimar pessoas e impactar financeiramente o SUS em função de danos decorrentes de imperícia, negligência ou imprudência que poderiam ser cometidos por profissionais mal preparados para atuar no cuidado das
pessoas.
Por fim, reafirmamos nosso compromisso com um SUS de qualidade e socialmente referenciado, e com um conceito de Educação Libertadora como única estratégia possível para o crescimento nacional, observando que saúde e educação não são mercadorias.
Executiva Nacional de Estudantes de Farmácia – ENEFAR
Direção Executiva Nacional de Estudantes de Medicina – DENEM
Executiva Nacional de Estudantes de Nutrição – ENEN
Executiva Nacional de Estudantes de Fisioterapia – ENEFi
Executiva Nacional de Estudantes de Enfermagem – ENEEnf

Fonte: Executivas de Estudantes