Guia alimentar para crianças menores de dois anos será levado a consulta pública nesta sexta

Uma em cada quatro crianças brasileiras de 0 a 2 anos de idade tem excesso de peso, indica a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013. Para discutir os desafios da alimentação saudável e propor sugestões para o Guia alimentar para crianças menores de dois anos, a Escola de Enfermagem promove mesa-redonda nesta sexta-feira, dia 10, às 14h, no anfiteatro Lais Netto.

Segundo a organizadora do evento, professora Luna Carolina dos Santos, 30% das crianças abaixo de dois anos consomem refrigerantes e mais de 60% comem biscoitos, bolos e bolachas recheadas, todos adoçados com açúcares.

O cuidado nessa fase, segundo a professora, deve ser com a não ingestão de alimentos processados industrialmente (como enlatados, queijos e conservas) ou ultraprocessados (como biscoitos e bolachas, sucos artificiais, refrigerantes, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, guloseimas). Esses alimentos contêm grande quantidade de açúcares, sal e gorduras. Como nessa fase ocorre a formação do paladar, as crianças sentirão necessidade de consumir alimentos com quantidades cada vez maiores desses ingredientes. As consequências, explica a professora, se materializam com registro cada vez mais precoce de doenças como diabetes e pressão alta em crianças.

No primeiro ano de vida, se a alimentação basear-se na amamentação no peito e no consumo de alimentos saudáveis, os bebês podem triplicar seu peso e chegar até nove quilos. No primeiro trimestre, eles engordam cerca de 20 a 25 gramas por dia, o que é necessário para aquisição das diversas habilidades e crescimento.

Luna dos Santos diz que a qualidade da alimentação é fundamental para a composição da gordura e da massa muscular. Caso contrário, a criança fica sujeita a consequências negativas do descontrole, que leva ao excesso de peso, com chance de se tornar um aluno obeso caso esse problema não seja tratado.

No Brasil, ainda de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, duas em cada três crianças menores de seis meses já recebem outro tipo de leite diferente do materno, sobretudo leite de vaca, frequentemente acrescido de alguma farinha e açúcar. E somente uma em cada três crianças permanece recebendo leite materno até os dois anos de idade.

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Luna dos Santos observa que o hábito de servir comida in natura e preparada em casa para crianças menores de dois anos depende de uma mudança de comportamento dos próprios familiares e responsáveis. A falta de tempo para cozinhar em casa e o acesso facilitado à enorme variedade de alimentos processados industrialmente estão levando as pessoas a deixarem a alimentação saudável em segundo plano. “Estudos alertam para o risco desta geração de crianças ser a primeira a morrer antes dos pais”, acrescenta.

“Percebemos a necessidade de estimular o envolvimento das crianças com a comida, desde a escolha dos ingredientes ao preparo e consumo. Muitos adultos têm a ideia equivocada de que a criança deve apenas receber o alimento. Mas o Guia enfatiza, por exemplo, a importância da família estimular a criança a participar da criação do prato. Os bons hábitos alimentares devem ser praticados por toda a família, para propiciar um ambiente saudável para a criança”, comenta a professora.

 

 

Programação
O Guia alimentar para crianças menores de dois anos está aberto a consulta pública até 25 de agosto. Elaborado pelo Ministério da Saúde, traz dicas e diretrizes para famílias e profissionais de saúde, além de orientações que podem subsidiar as políticas de saúde pública na área. Em diversos capítulos, aponta os desafios para alimentação saudável e traz sugestões para vencê-los, desde a amamentação no peito ao preparo de alimentos em casa.

A versão preliminar está disponível no site do Ministério, juntamente com instruções de como as pessoas devem encaminhar suas contribuições.  Durante o evento, o Guia será apresentado pela nutricionista Nathália Ribeiro Mota Beltrão, representante da Coordenadoria de Alimentação e Nutrição da Secretaria Estadual de Saúde.

Também participa do evento a nutricionista Cláudia Guimarães Pinto Dias, que contribuiu com a redação da Lei 18.372/2009 que rege a alimentação escolar em Minas Gerais. Ela vai falar sobre o Movimento BH pela Infância. A professora Luna dos Santos participa como palestrante da mesa-redonda, que será mediada por Cleia Costa Barbosa, representante do Comitê de Aleitamento Materno Estadual (CAM) e da ONG International Baby Food Action Network.

Fonte: Universidade Federal de Minas Gerais
Foto: Teresa Sanches/ Luna Carolina