A entidade mexicana El Poder del Consumidor [O Poder do Consumidor] divulgou nota, nesta sexta-feira (31), acerca da decisão tomada pelo governo do Uruguai de adotar a rotulagem frontal de alimentos embalados, como forma de contribuir para a redução da altas taxas de sobrepeso e obesidade na população uruguaia e sua incidência sobre doenças não transmissíveis. O projeto conta com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Na nota, O Poder do Consumidor também lamentou que, nesta mesma data, a Suprema Corte de Justiça Nacional do México (SCJN) tenha rejeitado um projeto semelhante, proposto por Fernando Franco, um dos ministros daquela corte. “A situação do sobrepeso, da obesidade e da diabetes no Uruguai está bem abaixo da que se apresenta no México. No entanto, aquele país está tomando as medidas preventivas recomendadas [por organismos internacionais] para enfrentar este tipo de epidemias”, lastimou a entidade mexicana.

Para Alejandro Calvillo, diretor do Poder do Consumidor, “o México continua postergando o combate à obesidade e à diabetes, mantendo políticas que se entregaram ao poder das empresas de alimentos e bebidas e diante de um poder Executivo, Legislativo e parte de um Judiciário sem vontade de enfrentar estes interesses, de forma a colocar em primeiro lugar o direito à saúde, à informação e o interesse maior da infância”.

Rotulagem no Uruguai

A nota descreve a medida tomada pelo governo uruguaio, lembrando que o país agora se soma ao Chile e ao Peru na região, para estabelecer a rotulagem de advertência sobre alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sódio. A partir da sua entrada em vigor, os alimentos embalados deverão conter a advertência por meio de um rótulo frontal em forma de octógono, nas cores branca e preta, e de fácil interpretação.

“Foi uma resposta ao crescimento das cifras referentes ao sobrepeso e à obesidade no Uruguai, que passaram de 52,5% para 64,9% entre 1999 e 2013, considerando também que o consumo de bebidas açucaradas triplicou nesse mesmo período, bem como o consumo de produtos com altas quantidades de açúcares, gorduras e sal”, prosseguiu a nota.

Com essa medida, o Uruguai reconhece que é fundamental dar informações objetivas aos consumidores, por meio de uma ferramenta simples e acessível, que permita às pessoas identificarem alimentos embalados que tenham um conteúdo excessivo de nutrientes associados ao sobrepeso, à obesidade e às doenças não transmissíveis, como pressão alta, diabetes e problemas de locomoção.

A proposta do rótulo de advertência frontal foi elaborado por um grupo de trabalho, formado por diferentes ministérios, professores da Universidade da República do Uruguai e integrantes de organismos internacionais.

Fonte: Consea
Foto: El Poder del Consumidor