As nutricionistas Regina Oliveira e Rosane Nascimento, representantes do CFN na Comissão Intersetorial de Alimentação e Nutrição (Cian) do Conselho Nacional de Saúde e do Consea, respectivamente, fizeram sustentação oral, hoje, 21/5, na reunião da Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (DICOL/Anvisa) durante a apresentação do Relatório Preliminar da Análise de Impacto Regulatório de Rotulagem Nutricional de Alimentos. De acordo com a Agência, o documento contém “uma avaliação exaustiva das propostas de aperfeiçoamento da rotulagem nutricional apresentadas pelos vários atores envolvidos no processo”.
O CFN defende o modelo de rotulagem nutricional frontal de advertência, seguindo o modelo de perfil nutricional proposto pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/Organização Mundial da Saúde), com informações claras e suficientes para favorecer escolhas alimentares mais adequadas. O CFN integra a campanha nacional da Aliança pela Alimentação Saudável e Adequada em defesa desse modelo.
Embora reconhecendo que a rotulagem por si só não é suficiente para conter o avanço da obesidade e demais doenças crônicas não transmissíveis, o CFN reconhece essa medida como uma importante ferramenta de informação para a sociedade e, consequentemente, para a saúde pública. Portanto, a revisão do atual modelo de rotulagem nutricional é urgente, para que as pessoas posam fazer escolhas mais adequados e saudáveis. A urgência, para o CFN, também se deve a diversos fatores que comprometem a saúde das pessoas, como a prevalência do excesso de peso, que triplicou nos últimos 20 anos: 57,7% da população adulta e 33,5% das crianças encontram-se com excesso de peso. Além disso, 20,8% dos adultos e 14,3% das crianças têm obesidade, dados apontados por diversas pesquisas.
“Analisando as pesquisas oficiais, encontramos ainda outros dados preocupantes: 23,4% dos adultos e 32,3 % das crianças tomam refrigerantes ou outras bebidas açucaradas cinco vezes ou mais por semana”, destacou a nutricionista Regina Oliveira durante a sua sustentação oral. Ressaltou ainda, que quanto às guloseimas, as pesquisas mostram que 41,3% dos escolares consomem estes produtos cinco ou mais dias na semana. “Como resultado do elevado consumo de produtos alimentícios ultraprocessados e as mudanças no estilo de vida, as doenças crônicas não transmissíveis avançam, sendo no Brasil a principal causa de mortalidade. Em 10 anos o número de pessoas diagnosticadas com diabetes cresceu 61,8 %”, alertou. Soma-se a esse quadro preocupante, o custo global da obesidade para o Sistema Único de Saúde (SUS), que está na casa dos 500 milhões de reais por ano.
Próximos passos – O relatório da reunião será disponibilizado ainda hoje no portal da Anvisa. Em breve a tomada pública de subsídio (TPS) para a rotulagem nutricional de alimentos estará disponível para a contribuição da sociedade civil, setor produtivo e entidades.