CFN lança a campanha #AbrilSaudável

Em 29 de março, o CFN lançou, nas redes sociais, a campanha #AbrilSaudável – Comida de verdade todo dia é qualidade de vida, motivada especialmente pelo Dia da Saúde e da Nutrição, comemorado em 31 de março, e pelo Dia Mundial da Saúde, em 7 de abril. A campanha tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância das escolhas alimentares e assim incentivar a busca pela alimentação saudável, adequada e o bem-estar. 

Além das redes sociais (Facebook, Instagram e YouTube), #AbrilSaudável está também nas rádios: dez emissoras transmitem, até 22 de abril, vinheta de divulgação da campanha nas cidades-sedes dos Conselhos Regionais de Nutricionistas (Brasília, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Belém, Florianópolis, Belo Horizonte e Curitiba).

A presidente do CFN Albaneide Peixinho reafirma que os “hábitos alimentares podem trazer mais qualidade de vida ou provocar e agravar doenças. A população precisa conhecer melhor os alimentos para fazer escolhas saudáveis, que não exigem sacrifícios e podem ser muito saborosas”, destacou.

Entrevista com o nutricionista Gilberto Kac, coordenador geral do ENANI

No dia 18 de março, o Ministério da Saúde iniciou a coleta de dados sobre alimentação de crianças menores de cinco anos para o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI). A pesquisa científica tem como objetivo avaliar as práticas de aleitamento materno, consumo alimentar, estado nutricional e as deficiências de micronutrientes, segundo macrorregiões do país, zona rural e urbana, faixa etária e sexo. Ao todo, 15 mil domicílios em 123 municípios serão visitados até dezembro.

O ENANI é coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e a Universidade Federal Fluminense (UFF). Também conta com a parceria de dezenas de universidades e instituições públicas de todo o país.

O Boletim CFN entrevistou o coordenador nacional do ENANI, o nutricionista Gilberto Kac. Confira:

  • Por que realizar uma pesquisa com esse público de crianças menores de cinco anos?

No Brasil temos pesquisas com adolescentes, adultos, mulheres, mas no caso das crianças menores de cinco anos existe uma lacuna importante. Hoje se fala muito nos mil dias de vida. O período de dois a cinco anos ainda é pouco estudado, é um grupo que está na transição da amamentação para alimentação.  

  • Qual importância do ENANI para a sociedade brasileira?

A academia produz muita ciência em vários momentos e muitas vezes isso não vira política pública. Para o cientista, esse é o momento mais frutífero, quando você consegue produzir ciência e ao mesmo tempo subsidiar a formulação de políticas públicas. São informações que irão subsidiar a formulação de políticas públicas para programas específicos para a área de alimentação e nutrição.

O ENANI é um estudo pautado pelo Ministério da Saúde para responder questões específicas, como a magnitude de deficiência de micronutrientes, por exemplo, tema nunca antes estudado para a população nacional. Com base nesse estudo, teremos essas respostas. 

Hoje, quando falamos de má nutrição, na verdade não falamos da desnutrição exclusivamente. Nesse conceito temos a má alimentação, a má nutrição que também engloba a obesidade e as deficiências de micronutrientes. Existe um conjunto enorme de marcadores bioquímicos importantes para o desenvolvimento cognitivo, para o crescimento, que não temos informações.

  • O combate à obesidade infantil é um desafio?

Sem dúvida. A obesidade infantil é prioritária na agenda de nutrição do Ministério da Saúde, uma decisão muito acertada, pois temos indicativos que o sobrepeso e a obesidade infantil crescem. A nossa perspectiva é trabalhar com a avaliação do estado nutricional como um todo, uma das diretrizes da Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Tudo indica que vamos contribuir com dados qualificados e recentes para saber o real cenário da obesidade infantil. A pesquisa vai estimar a frequência desse evento e ajudar na compreensão desse fenômeno, já que estamos estudando alguns determinantes que nunca foram avaliados nessa magnitude no Brasil. São questões como a habilidade culinária, o ambiente alimentar doméstico. Vamos estudar detalhadamente a alimentação das crianças.

  • Existe um consumo exagerado dos alimentos ultraprocessados?

Esses são dados que a gente consegue aportar com o ENANI. A minha maior especialidade é a nutrição materna. Estudos recentes mostram que o consumo de alimentos ultraprocessados é elevado. Os dados sobre o consumo de alimentos ultraprocessados por crianças, seguem a mesma direção, de consumo exagerado. É importante destacar que, não apenas o consumo de ultraprocessados, mas em todos os componentes da pesquisa, vamos conseguir também abordar a desigualdade com que esses eventos ocorrem com uma população tão diversa quanto a brasileira. 

Um componente que nós esperamos conseguir informações é justamente a desigualdade na distribuição desses fenômenos. Temos uma metodologia proposta por um grupo de pesquisadores de Pelotas (RS), para trabalhar com um conjunto de indicadores que vão permitir distribuir a população por quintil de riqueza. Quando a gente estratifica o consumo de alimentos ultraprocessados por quintil, esperamos compreender se é o quintil mais pobre ou intermediário que apresenta consumo mais elevado desses produtos. Ou até mesmo entender se a obesidade está concentrada em grupos específicos ou se é um fenômeno regional. 

Também queremos compreender como a sazonalidade interfere diretamente no consumo de alimentos. Por isso, o estudo mistura as regiões do país para avaliar que tipo de oferta de alimentos ocorre naquele momento da pesquisa

Website Facebook Instagram